Comportamento

Coerção comportamental entre os jovens brasileiros do terceiro milênio

Vivemos uma atmosfera absolutamente dissipante, redes sociais, indústria cultural e
programas e jogos alienadores, sempre fomentados por canais televisivos, aplicativos,
celulares e etc. Nossos jovens agregam demandas quase obrigatórias para estarem
alucinadamente conectados em tendências imperativas da moda e da coerção segmentada,
tendo o consumo como mister, receita bem apropriada para afastar-se de si mesmo e criar
uma realidade coletividade artificial das marcas e dos produtos carimbados como fontes do
status normativo, verdadeira receita para cada jovem ser aceito e até respeitado em seu
grupo.
Mas, quem são realmente esses jovens? O que pensam, qual seu verdadeiro eu na incrível
diversidade do espírito humano? Ou como busca-la nos dias de hoje?
Fica perceptível que o maior medo que figura entre nossos jovens é o silêncio. Aquele silêncio
que nos faz pensar em nossos fins e nossos meios para ser.
Essa problemática lembra-nos o conceito de Desolação de Pascal: “ Isso é tudo o que os
homens poderiam inventar para serem felizes! “. Um grande e trágico jogo para entreter-se
ilusoriamente dia após dia e não olhar para dentro. Um grandioso e complicado passatempo
com um preço muito alto: a fuga de si mesmos. Fazendo da diversão um ofício, o homem se
desembaraça de seu destino, abdica da própria grandeza e se dilui nas situações e nas
realidades exteriores. “ A única coisa que nos consola nas nossas misérias. Porque é ela que,
principalmente, impede-nos de pensar em nós mesmos “, possuirmo-nos.
Difícil encontrar tempo para o cerne da vivência filosófica : conhece-te a ti mesmo! Ao sair das
escolas e universidades ou do serviço, o jovem não busca senão algo que “fazer”. Comenta
Savagnone: Eles procuram afundar-se na gritaria de um bar superpovoado, e um pouco mais
tarde, ao chegar em casa, sente-se chamado pelo televisor. Inclusive no carro tem medo de
ficar sozinho e, apressando-se, liga o rádio ou põe a mão no celular. E quanto mais veemente o
vazio, maior a quantidade de ocupações nas que refugia para não ter tempo de pensar.
Mas não podemos esquecer os jovens que operam na contra mão do senso comum, mas
infelizmente são vistos como esquisitos, anormais e até alienados. Uma distorção que gera
uma aniquilação da livre personalidade de cada ser. Cabe uma reflexão de toda sociedade:
qual o lado da moeda é escrava do capital e do sistema?
Lembremo-nos que em tempos de sociedades líquidas, quem possuir uma personalidade e, até
digamos uma integridade singular, nadará contra a maré que assola nossa humanidade e até o
futuro das próximas gerações que poderão ser edificadas como tijolinhos exatamente iguais e
do mesmo muro.
Será possível sairmos dessa conceituação abstrata para uma experiência concreta do eu?
No conceito de Hierarquia de Maslow, bem em seu ápice, aparece: moralidade, criatividade,
espontaneidade para obter autorrealização ou a necessidade de realizar plenamente o seu
potencial. Agora, deixo uma pergunta: o ambiente afeta a inteligência? Com o passar do
tempo poderemos mensurar o que nossa realidade vai definir para o futuro intelectual e
espiritual do jovem brasileiro.
FONTE: ROBERTO ARME
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